terça-feira, 9 de novembro de 2010

COLONIZADO E COLONIZADOR NO MESMO BARCO




Tal como eu esperava o “C” dos BRIC voltou a atacar, depois de ter concedido um dos maiores financiamentos que Angola do pôs independência e do pôs guerra já beneficiou, de ter mandado cerca de 30.000 cidadãos seus para Angola e cerca de 300.000 à África do Sul, sem contar com o financiamento de 3.6 mil milhões ao Standard Bank- o maior Banco de África, de ter financiado a barragem de Mepanda em Moçambique avaliada em 2.18 mil milhões euros, de ter financiado a República Democrática do Congo com 8.86 mil milhões de euros, de ter construído inúmeras auto-estradas no Sudão, de ser o maior credor dos Estados Unidos da América - Chimerica é a palavra que tem sido usada par demonstrar a dependência entre estes dois países, de estar a realizar grandes obras na Argélia onde os seus cidadãos são acusados de terem feito desaparecer os cães e os gatos agora aparece de mãos dadas aos renegados do fundo Europeu.
Portugal está a padecer de uma crise financeira, que parece ter começado na Grécia, mas que nada tem a ver uma com a outra, pois, são países geograficamente muito separados e cujas transacções comerciais não são das mais importantes na balança de pagamentos de nenhum dos dois. Mas por incrível que pareça os sintomas da crise, nos dois países foram dados quase ao mesmo tempo, porque quando a crise grega eclodiu os mercados deram sinais de que Portugal seria o próximo. Todavia, esta tese foi muitas vezes apelidada pelos governantes portugueses como sendo uma calúnia e um ataque directo ao governo português. Nesta fase muitos foram os economistas que se pronunciaram sobre o assunto, Paul Crugman, o renomado economista premiado em 2008 com o Nobel da Economia, dizia que Portugal deveria fazer sérios cortes às suas despesas públicas, chegando mesmo a realçar que os salários dos portugueses deveriam ser cortados na ordem dos 20% a 30%, numa altura em que os portuguesas já se ressentiam pela existência de uma taxa de desemprego elevada. Não obstante aos avisos, o parlamento português não consegue chegar a consensos quanto ao orçamento geral do estado para o próximo ano, pois a crise não é simplesmente financeira é também política, como dizia Sócrates: “assim não se governa”.
Sócrates e o seu governo tentaram recorrer ao fundo europeu, sem sucesso. Muitos analistas políticos e económicos já estão a cogitar a possibilidade de Portugal recorrer ao FMI, caso os seus irmãos não cedam a tempo de os ajudar. Mas parece-me que é a China que aparece para mostrar que caso as instituições de Breton Woods ofereçam uma proposta inviável eles estarão do outro lado com uma proposta mais aliciante. E como sabemos, a China tem sido um porto seguro para muitos países que em momentos de crise foram rejeitados ou censurados pelo FMI ou Banco Mundial, bem como pela União europeia. Há dirigentes que sabem muito bem do que estou a falar, pois, o Zimbabwé de Mugab tem recebido apoio do “C” dos BRIC, quando quase toda a comunidade internacional lhe virou às costas, o Sudão teve apoio do mesmo quando este assegurou-lhe votar contra as sanções que lhe estavam à ser impostas pela UN, Angola recebeu o tão famoso financiamento chamado “Modelo de Angola”- em que a dívida é paga não em prestações monetárias mas sim por barris de petróleo. Note-se que, neste ano Angola é já o maior exportador de petróleo para a China, em África. Como se não bastasse, a China parece querer mesmo entrar na Europa, ganhando terreno aos estados Unidos da América que parece estar mais preocupado com a guerra cambial do que com a guerra dos espaços geográficos…
Depois de ter visto o presidente Chinês , Hu Jintao, e a sua comitiva em Portugal passei a acreditar mais na frase de um grande senhor que dizia ensine Mandarim ao seu filho e não te arrependerás, por isso não me espantei quando vi estudantes da Universidade católica do Porto a estudarem Mandarin. E isto é mesmo verdade, pois, no Congo democrático várias salas de aulas foram abertas e acredito que mais abrirão. Visto que, neste mercado, do ensino do mandarim, a procura excede a oferta e pelo andar da carruagem este gap vai aumentar ainda mais com a constante penetração dos empresários chineses na economia da CPLP em particular e do mundo em geral. Afinal de contas, parece que os colonizadores seguirão o exemplo dos colonizados e voltarão a beber da mesma água. Acho que estes dois povos foram destinados a seguir os mesmos caminhos.
Acreditemos ou não a china está a ganhar terreno e acho que devia ser retirada dos BRIC, porque já não pertence aos BRIC mas sim aos DC. Mas nem tudo é um mar de rosas, pois existem muitos chineses pobres, alguns sonham com o el-dorado africano, onde os seus salários dobrarão e só voltarão à casa uma vez em cada dois anos, sem saber que para lá do oceano encontrarão uma cultura totalmente diferente onde o cão e o gato são os melhores amigos do homem e não são animais comestíveis, sem saber que aos olhos dos angolanos e congoleses eles são robôs diabólicos que trabalham dia e noite sem parar, sem saber que no Sudão um país maioritariamente muçulmano as pessoas rezam pelo menos cinco vezes por dia, enquanto o chinês trabalha sem parar, sem saber que existem revoltas no Níger no Chad na Somália e que na Zâmbia muitos serão os trabalhadores que os quererão num tribunal por alegados abusos de autoridade. É assim a china do bem e do mal, mas com a qual teremos de aprender a conviver se quisermos continuar na rota do crescimento almejando o desenvolvimento.   

2 comentários:

  1. Oba!

    Muito fixe este artigo, opinativo mas também informativo. Gostei das analises e sobretudo da forma humorada como foi escrito. Fiquei apenas sem entender o que é isto de BRIC e DC.

    Continue com o bom trabalho.

    ResponderEliminar
  2. Uhm os BRIC são o grupo das Economias emergentes, Brasil Rússia Índia e China..
    DC- Developed Countries...

    ResponderEliminar